Projeto
O que é FotoLibras?
Objetivo do projeto
O que envolve?
Metodologia
Produtos
Justificativa e filosofia
Quando começou e onde está sendo realizado?
Sustentabilidade e desenvolvimento organizacional
Próximos passos
O que é FotoLibras?
É um Projeto de Fotografia Participativa com Jovens Surdos que tem por objetivo utilizar a fotografia como meio de expressão e comunicação, aumentando a visibilidade e inclusão da comunidade surda através da criação e divulgação de fotografias feitas por jovens surdos.
FotoLibras surgiu a partir do conceito de Fotografia Participativa, no intuito de promover o uso da fotografia como uma ferramenta poderosa que propõe promover a ‘voz’ de pessoas e grupos cujas ’vozes’ são ignoradas ou até reprimidas. Neste caso, a ’voz’ é LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), e a forma de promover a ’voz’ das pessoas que se expressam em LIBRAS é a fotografia, um meio de comunicação que não depende do conhecimento de nenhuma língua falada, sinada ou escrita.
O projeto é inovador e inédito no Brasil, pois existem inúmeras atividades na área de fotografia participativa, mas não tem nenhuma ação sistematizada dirigida à comunidade surda.
Objetivo do projeto
Aumentar a expressão, auto-estima e inclusão de jovens surdos e divulgar a cultura e direitos da comunidade surda através da criação de imagens fotográficas.
O que envolve?
* Curso de Fotografia Participativa para Surdos: capacitar 20 (vinte) jovens surdos (16-24 anos) em Fotografia Participativa, estimulando a expressão criativa, a auto-estima e a análise crítica através da criação de imagens fotográficas, aliando recursos técnicos e oficinas sobre áreas temáticas referente aos direitos e cultura da comunidade surda.
* Elaboração de ensaios fotográficos relacionados aos temas abordados e outras áreas de interesse.
* Divulgação de fotos e ensaios para aumentar a visibilidade da comunidade surda e a cultura surda.
* Formação de multiplicadores do Curso de Fotografia Participativa, criando possibilidades para elaborar outros projetos de fotografia participativa com jovens surdos.
Metodologia
Este projeto tem o posicionamento de que as línguas de sinais são as línguas naturais dos surdos. Alunos surdos devem receber um ensino bilíngüe que proporcione às crianças condições para adquirir e desenvolver a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), como primeira língua, e aprender a Língua Portuguesa como segunda língua. Assim, o projeto realiza todas as aulas em língua de sinais, com a presença de dois interpretes de LIBRAS, e preparando materiais didáticos ilustrados com sinais que os próprios alunos criam para facilitar o entendimento em relação aos termos técnicos utilizados na fotografia. O curso também estimula a leitura através de um boletim informativo sobre o curso e de tarefas que envolvem pesquisa em livros, revistas e na internet sobre fotografia e fotógrafos que desenvolvem ensaios fotográficos, além de outros assuntos abordados no curso.
Nossa metodologia principal tem sido o ’aprender fazendo’ que irá proporcionando aos alunos o desenvolvimento de habilidades para documentar e divulgar suas próprias idéias e visões sobre o mundo que os cerca, proporcionando oportunidades de explorar meios adicionais e alternativos de comunicação, conscientizando-os sobre sua própria cultura.
O projeto procura estimular os alunos a observarem as imagens que os cercam, para que eles possam se expressar através da fotografia de uma forma crítica e consciente. O curso também pretende estimular os alunos mais engajados a serem multiplicadores do curso, oferecendo na última etapa do curso um treinamento sobre como serem multiplicadores do projeto e isso incluirá uma cartilha sobre como elaborar e executar projetos de fotografia participativa com surdos. O projeto pretende executar novos cursos de FotoLibras, incluindo os multiplicadores do primeiro curso como assistentes dos instrutores.
Produtos
* Uma exposição de fotografia (que será lançada no Recife, mas com a possibilidade de viajar para outras capitais).
* Uma pagina de web sobre o projeto.
* Um livro de imagens do projeto (para vender).
* Um vídeo-documentário sobre o Projeto de Fotografia Participativa para Surdos.
* Um ‘Guia’ sobre como fazer cursos de fotografia participativa com surdos.
Através destes produtos os participantes terão a possibilidade de mostrar seu trabalho técnico e artístico para um público mais amplo, dando visibilidade ao projeto, ao cotidiano e cultura da comunidade surda e abrindo perspectivas do trabalho dos surdos como multiplicadores.
Justificativa e filosofia
No Brasil, a comunidade surda encontra-se excluída e marginalizada. Embora a Constituição Federal de 1988 assegure direitos aos surdos, principalmente em relação ao acesso à educação, que garante atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. Apesar da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) ser a segunda língua oficial no Brasil, e toda instituição brasileira dever, por lei, disponibilizar intérpretes para assegurar a inclusão dos surdos, a presença de intérpretes é insuficiente para atender à demanda e muitas vezes a maioria é mal capacitada. Também há uma carência de professores surdos capacitados para o ensino especial para surdos. Esta situação frustra as possibilidades para o desenvolvimento pessoal e profissional de pessoas surdas e resulta num ciclo vicioso de exclusão e pobreza.
O assunto central é o direito à comunicação. Fundamental para isso é estimular canais de expressão que proporcionem possibilidades para a autodeterminação e que valorizem a diversidade cultural. Isso inclui a necessidade de abordagens educacionais diferenciadas, que respondam aos contextos e realidades diversas. Iniciativas de comunicação participativa oferecem possibilidades inovadoras para complementar o sistema formal de educação, aumentando as possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento pessoal, dando oportunidades para promover a ‘voz’ de grupos marginalizados, capacitando-os para documentar e divulgar suas idéias, críticas, culturas e visões do mundo. Estas oportunidades educativas complementares se tornam ainda mais essenciais quando tratamos de grupos que encontram-se excluídos do sistema educacional formal por incapacidade do mesmo.
A utilização da fotografia por surdos como meio de expressão deve ser entendida como uma possibilidade a mais de comunicação, que não depende de intérpretes nem de conhecimento de libras. Assim, é um canal a ser explorado na integração entre comunidade surda e ouvinte e uma ferramenta de expressão no processo de inclusão social. O projeto se propõe a consolidar uma construção social e educacional dentro da qual grupos sociais marginalizados passam a construir e participar da elaboração do próprio discurso.
A comunidade surda tem uma cultura diferenciada e a forma de se comunicar, de ver o mundo, e de realizar manifestações culturais é muitas vezes distinta da realidade dos ouvintes. Essa cultura é sistematicamente escondida enquanto devia ser valorizada como uma parte integral da cultura Brasileira. Viabilizar projetos de fotografia participativa com surdos, possibilita consolidar uma construção social e educacional em que eles passam a participar na elaboração do próprio discurso cultural. A fotografia é também um canal a ser explorado na integração entre a comunidade surda e ouvinte.
Quando começou e onde está sendo realizado?
O projeto começou em 2006 com a elaboração dos objetivos e atividades do projeto e captação de recursos. A coordenação do projeto está dividida entre o setor de cultura da FENEIS, uma coordenadora geral e os três fotógrafos que executam o curso de FotoLibras. No final de 2006 o projeto ganhou uma pequena verba da Sociedade Internacional de Crianças Surdas (IDCS), que viabilizou o lançamento do projeto em Fevereiro de 2007 com a seleção da primeira turma do projeto FotoLibras. O primeiro curso do projeto será finalizado em Setembro de 2007, incluindo a capacitação de multiplicadores.
As oficinas acontecem na Escola Rochael, além de aulas práticas em diversos lugares de Recife e Região Metropolitana, visitas à exposições de fotografia e intercâmbios com outros projetos de fotografia com jovens.
Sustentabilidade e desenvolvimento organizacional
O projeto tem como proposta também de trabalhar com os parceiros e os alunos para que eles possam continuar trabalhando com fotografia depois do final dos curso. Assim, FotoLibras fortalecer a capacidade do setor de Cultura do FENEIS na elaboração e execução de proejtos.
Próximos passos
Estamos procurando novos parceiros para executar novos cursos de FotoLibras. Se você tiver interesse em participar, realizar ou patrocinar um curso, por favor entre em contacto: FENEIS, Rua do Hospicio, 187, Boa Vista, Recife, PE Tel/Fax: 081 3222 4958 email: fotolibras@gmail.com